PAIS DA IGREJA PÓS-NICENO DO OCIDENTE

123- PAIS DA IGREJA PÓS-NICENO DO OCIDENTE

  •  Para entender o termo: pós-niceno, precisamos nos reportar ao Concílio de Nicéia convocado no ano 325. A questão central era a divindade de Cristo, Ário que negava a divindade de Cristo era o principal opositor.
  1.  Para resolver a questão, o imperador Constantino convocou o Concílio de Nicéia, Eusébio de Cesaréia, (265-339) um dos Pais da Igreja do Oriente escreveu: “De todas as Igrejas que ocupavam a Europa inteira, a Líbia e a, Ásia, reuniu-se a nata dos ministros de Deus. Uma única casa de oração como que dilatada pelo poder reuniu os sírios, e os cilicianos, os fenícios e os árabes, os palestinos e ainda queles do Egito, da Tebaida, da Líbia e da Mesopotâmia. O Bispo da Pérsia esteve presente ao sínodo; a Cítia foi também representada por seu bispo; o Ponto, a Galácia, a Panfília, a Capadócia, a Ásia, a Frígia haviam enviado sua elite; os trácios e macedônios, os aqueus e os epirenses, e entre estes , tinham vindo os das regiões mais distantes; da própria Espanha, um bispo dos mais ilustres, (Hósio) veio participar com os outros; o bispo da cidade imperial (Roma) foi impedido por sua idade muito avançada, mas estava representado por sacerdotes de sua Igreja. Os bispos entraram na grande sala do palácio e se assentaram, segundo o seu nível, nas cadeiras que lhes haviam sido preparadas. No momento em que se ouviu o sinal que anunciava a chegada do imperador, todos os bispos se levantaram, e então ele entrou no meio de um séqüito de pessoas de qualidade e se mostrou como um anjo de Deus. (Por volta do final do Concílio), celebraram-se os vinte anos de reinado do imperador em todas as províncias, por meio de grandes festividades públicas. Nenhum bispo faltou a ele. O acontecimento superava todas as palavras que pudessem descrevê-lo. A guarda de honra e os soldados, dispostos em círculo, apresentavam suas espadas nuas no vestíbulo do palácio. Sem nenhum temor, os homens de Deus passavam no meio deles para entrar no palácio. Eles tinham a impressão de um antegozo do Reino de Cristo, e o evento lhes parecia mais próximo do sonho que da realidade”. (Eusébio Vida de Constantino III, 15, 16)
  1.  A era de ouro dos Pais da Igreja.

Já vimos de acordo com Earle E.Cairns que a “era de ouro” dos Pais da Igreja foi o período pós-niceno, houve muitos outros antes desse período, Por exemplo, Orígenes que viveu até o ano 254 fez muita muita teologia, fundou a Teologia Sistemática com sua obra, Sobre os princípios, com isso ele inaugurava a ciência bíblica, mas foi rejeitado como Pai da Igreja por causa da sua crença na redenção final de todos, foi ele apesar disso um importante “Pai da Igreja”, suas obras são lidas até hoje, portanto atualmente ele é reconhecido como um dos Pais da Igreja, mas agora vamos verificar a importância dos seguintes Pais da Igreja Ocidental que foram bem mais cultos, produtivos e organizados do que os Pais da Igreja Oriental.

  •  A primeira grande obra foi a tradução da Bíblia e também a tradução das obras de filósofos pagãos e a grande produção de tratados teológicos. Estudaram muito mais o latim e o grego, é fácil perceber nas obras de Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Earle E.Cairns não incluiu Ambrósio, bispo de Milão que foi um grande exegeta latino, pregou para Agostinho, defendeu a liberdade de pensamento pela sua tolerância em relação aos arianos, Agostinho fala de Ambrósio com muita caridade: “conhecido ao redor do mundo como um homem a quem poucos havia que se igualassem em bondade”.
  • Comentarista e tradutor

Jerônimo era natural de Veneza, nasceu no ano de 340 e foi batizado em 360, viajou muito e se tornou amigo do bispo Damaso bispo de Roma que lhe sugeriu uma tradução da Bíblia para o Latim, desde o Concílio de Trento essa é a Bíblia “oficial” da Igreja Católica Romana. (Mas hoje os católicos usam várias traduções, assim também os protestantes.)

 Divulgou vários tratados e optou pela vida ascética, tinha uma personalidade áspera, não se dava bem em relação às outras pessoas, impaciente, era duro com seus opositores, se alguém discordava dele recebia logo uma resposta como no caso do padre Onasus, “Oh, cubra teu nariz e feche a tua oca: esta é a melhor coisa para você“. mas foi um dos mais erudito do seu tempo, era também gentil sempre dizia das crianças; “não devemos desprezar os pequeninos, pois sem eles grandes coisas não poderão ser realizadas”, Jerônimo sempre lutou contra o seu mau gênio. Sua influência permanece até hoje principalmente pela tradução da Bíblia para o Latim.

  •  Administrador e pregador

Ambrósio (c.340-397) Foi pregador, administrador e teólogo competente com a morte do Bispo de Milão em 374 o povo pediu que ele ocupasse o episcopado. Tendo sido ordenado doou seus bens aos pobres e assumiu o cargo de Bispo de Milão, ele iria batizar o mais destacado Pai da Igreja de todos os tempos, Sto. Agostinho.

Era um homem muito corajoso, você sabe aquela história do Decreto Teodosiano, pois bem, quem fez o decreto tornando oficial a religião católica foi esse imperador, mas ele tinha um jeito pouco cristão, em Tessalônica houve uma revolta e o prefeito foi assassinado, então Teodoso reuniu u povo num circo e ordenou o massacre como vingança pela morte de uma autoridade. Depois disso la vem ele todo confiante tomar a Santa Ceia, Ambrósio recusou dá-lhe a comunhão até que ele publicamente se arrependesse de seus atos. Quando Teodoso decreta que, a religião cristã era a religião do Estado (império) todos os súditos crentes ou incréus se tornaram cristão e muitos se agregaram a bandos para promover baderna e violência, principalmente em Alexandria.

  •   Filósofo e Teólogo

Agostinho, foi o expoente entre os Pais da Igreja, com certeza o mais influente. Para ele tudo estava passando e ele lançou uma expectativa que ia muito além do seu tempo, a “Cidade de Deus”, que fala de uma civilização espiritual, ela seria construída com o avanço da Igreja até que Cristo volte para inaugurar uma nova era que já começou. Mas sua vida é cheia de cores, foi estudar retórica em Cartago, longe da família como todos os estudantes em muitas épocas passa a viver como casado e tem um filho, Adeodato inteligente e prometia ir longe. Agostinho insatisfeito consigo mesmo procura encontra paz na doutrina dos maniqueístas, mas desiste, gostava de ler Cícero e os ensinos dos Neoplatonismo. Em 386 se converte. Sua conversão é algo curioso; estando ele em pé perto de uma porta, ouve uma voz, “Toma e lê”, ele abriu a Bíblia em Romanos 13. 13-14, então ele sentiu que havia mudado, despediu a sua concubina e mudou de profissão, queria agora ser religioso, tendo sido ordenado sacerdote, logo demonstra muito saber, e se torna Bispo de Hipona. É o maior entre os Pais da Igreja, deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas.

Quando Roma é saqueada pelos bárbaros sob o comando de Alarico, os romanos atribuem esse acontecimento ao fato de terem eles abandonado os ídolos da antiga religião, então Agostinho escreve a sua obra prima, “De Civitate Dei”, a Cidade de Deus, era o ano de 410.

Agostinho explica que, “Os deuses não ajudam seus devotos no terreno temporal nem no espiritual, ao passo que o cristianismo pode dar e tem dado bençãos espirituais àqueles que o abraçam”. O livro foi motivado também pelos questionamentos de seu amigo, Marcelino.

A obra exegética mais importante foi, “De Doctrina Christiana”, que ensina sobre hermenêutica ou a ciência da religião.

Agostinho entretanto ensinou indiretamente sobre o purgatório, talvez influenciado pela interpretação da “graça irresistível.”, também deu tanta ênfase aos sacramentos que a Igreja Católica se achou destinada a ser o único aprisco visível

O significado do seu trabalho para a Igreja Cristã tanto Católica como Protestante foi de valor inestimável e continuará por todo o tempo restante da história da igreja.

Earle E. Cairns destaca que, “o fim ou o objetivo da história, para Agostinho, está fora da história, nas mãos de um Deus eterno”. Ele exaltou o poder sobrenatural sobre o temporal.

  • OUTROS PAIS E MÃES DA IGREJA

Houve muitos outros Pais da Igreja, alguns foram simplesmente chamado de Doutores

Irineu

Atanásio

Gregório de Nazianzo

Basílio o Grande

Orígenes

Justino, o mártir

Clemente

Os quatro doutores do Oriente foram: Atanásio, Gregório de Nazianzo, Basílio o Grande e João Crisóstomo.

Os quatro doutores do Ocidente foram: Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gregório o Grande

Mães da Igreja: Paula, Olímpia, Melãnia a presbítera, Macrina irmã de Basílio e Gregório.

Ário foi “pai herético” herdeiro espiritual de Márcion outro herético.

Atanásio disse a respeito da doutrina de Ário: “Ário e seus seguidores cometeram blasfêmia em duas questões: adoraram uma criatura como Deus e chamaram Deus encarnado uma simples criatura”. C.S.Lewis fez uma consideração intelectual sobre Ário nos seguintes termos: “uma religião “sintética de bom senso” o havia levado a um beco racionalista sem saída”.Atanásio achava muito difícil acreditar em dogmas, mas toda religião tem algum dogma, uma religião toda explicada pode se transformar em algo racionalista.

 Conclusão

No primeiro estudo apresentamos os Pais pós-nicenos do Oriente, que se interessaram pela teologia gramatical, o sentido da palavra para descobrir o seu valor real no tempo estudado. Os pais pós-nicenos do Ocidente estava sob a influência de Orígenes (184-254) exerciam com muita destreza a interpretação alegórica, mas também usavam a hermenêutica gramatical.

Bispo Primaz: I.F. Barreto

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Bishop of Methodist Renewal Church
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